Johnny Marr acerta todas no existencialista Call the Comet

Em seu terceiro álbum solo de inéditas, Johnny Marr se mostra inspirado e prova seu valor como um dos maiores compositores de sua geração

Enquanto o bocarra Morrissey se esforça em destruir o próprio legado em desastradas declarações carregadas de preconceito, seu ex comparsa de Smiths mostra serviço, com canções na medida para os tempos atuais, sem deixar de valorizar a sonoridade que o consagrou.

Johnny Marr – Call the Comet

Sem pressa, o blog ouviu faixa por faixa de Call the Comet, e registramos aqui nossas impressões :

Rise – Abertura perfeita pro álbum, com Johnny mostrando todas cartas, guitarras lindas cheias de texturas criando o clima para a letra que fala do destino e futuro, versos como “Call in all gods, Here they come everybody, Ready or not… “

The Tracers – Começa com um “Woo Hoo” em simpático coro. Uma das mais sombrias do álbum mas não menos emblemática, afinal nela Marr chama pelo cometa para evaporar o planeta 😉

Hey Angel – Rockão com cara de 90’s, britpop na área, meio Blur / meio Oasis, mas com guitarras mais inspiradas que ambas formações. Deve levantar todos adeptos nos shows.

Hi Hello – Uma balada rock perfeita, irmã de “Dancing Barefoot” e com ecos claros de “There’s a Light that Never Goes Out”, aqui vemos Joãozinho Marciano em seu habitat natural. Um dos melhores sons do ano 😉

New Dominions – Aqui Johnny se arriscou bem mais, com ótima introdução a canção cresce a cada audição, levantando a audiência numa marcha quase gótica. Sonzeira.

Day In Day Out – Super violões para acompanhar a inspirada melodia e super arranjo de Day In Day Out, a letra é perfeita e toca na ferida da ética do mundo moderno… “Born with a question, Born with a future past, In my invention…. Call me a natural act, Now is forever, Now is an old re-run, Call me too far gone, To the point of no return” 😉

Walk into the Sea – Climão com o piano em primeiro plano que marca a introdução, cresce com singelo arranjo, onde as guitarras alçam voos com ótimas sequências melódicas. As letras, como em todo álbum 100% de Mr.Marr, também registram o zeitgeist de nossos tempos.

Bug – Apesar de parecer ser a mais bobinha do álbum, vale pela irônica letra e pelo refrão que parece perfeito para cantar junto nos shows.

Actor Attractor – Bem mais eletrônica, quase evoca um Depeche Mode da época de Violator, e mostra todo poder de Johnny Marr com um dos mais inteligentes compositores do pop rock das últimas décadas, finalizando com a repetição quase filosófica do verso “Eu tenho que perguntar quem eu sou hoje a noite…”

Spiral Cities – A inspiração urbana é um dos focos de Call the Comet, e em Spiral Cities a urgência das ruas e nosso caos cotidiano dão as cartas em mais uma super sonzeira.

My Eternal – Com uma canção tão diferente da outra, mas sempre soando consigo mesmo, Marr se arrisca bem nos vocais, buscando diferentes tons e ajudando a tornar o álbum fácil de ouvir de ponta à ponta. Essa é perfeita pra dançar em casa ou numa balada rocker.

A Different Gun – Essa vem com aquelas batidas clássicas de uma Manchester oitentista que nem existe mais, lembrando muito os “The Smiths”, tanto pelas ótimas letras quanto pelo pela capacidade de nos levar longe mesmo com seu original andamento e melancolia explícita.

Com esse terceiro álbum de inéditas, Johnny Marr mais do que mostra serviço e inspiração, garantindo um lugar especial no pop rock mundial independente da fama que sua famosa banda dos 80´s já havia garantido.

A crítica ao estado das coisas no planeta terra é clara e direta… a humanidade continua errando … chamem o Cometa !!

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