Thiago Pethit vem pra salvar seu rock and roll

Confesso que não esperava, mas Thiago Pethit fez um dos melhores discos nacionais de rock dos últimos 10 anos. Sei que a proeza não é assim tão absurdamente marcante, já que o gênero vem definhando a cada ano no Brasil, sobrevivendo graças a insistência de poucos artistas que permaneceram relevantes e dignos de serem classificados como roqueiros.

Afinal pra ser Rock… tem que ir alem da batida… e mostrar atitude, sem nenhum tipo de preconceito, aceitando a diversidade de tudo e de todos, seja sexual, ideológica, ou mesmo comportamental.

Não é nada rock, virar um reacionário de direita conclamando passeatas golpistas com velhinhas carolas e militaristas, não tem nada de rock pagar de adolescente cantando desafinado “Vamos saquear Brasília”, e muito menos é rock (pra quem já fez sons como “Polícia” no Pós ditadura) cantar hino roqueiro pró PM…

Infelizmente em termos de atitude a coisa mais perto de Rock no Brasil nos últimos 20 anos tem sido o HipHop… Os caras representam!!

Claro que também temos Pitty, Nação Zumbi, Raimundos, Planet Hemp, Otto, Krisiun, Céu e outros modernos em boa fase, mas nada recentemente me impressionou mais que a reaparição do outrora queridinho indie Thiago Pethit em autêntico Rocker.

O paulistano comparece com canções cheias de sexo, groove, aditivos, climas californianos, IggyPopismos e doses maciças de T.Rex, tudo sem medo de usar batom, fazer pose ou desmunhecar se precisar.

O terceiro disco de Pethit começa com a participação do ator alternativo Joe Dallesandro, não por acaso o “Little Joe” cantado por Lou Reed na música/poema de NY dos 70’s – Walk on the Wild Side – abrindo cheio de inspiração o álbum com Rock’n’Roll Sugar Darling.

A produção certeira a cargo de Kassin e Adriano Cintra, parece fazer toda diferença, já que abusa nas referências roqueiras e busca interessantes sonoridades, resgatando as batidas de Bo Diddley, o vaudeville dos Doors, e a languidez do glitter sem nunca soar retrô.

É claramente um álbum de 2014/2015, contemporâneo e espécie de antídoto contra o caretismo reacionário, com sons daqueles que o rock precisa pra se rejuvenescer a cada era.

Minhas preferidas são Rock’n’roll Sugar Darling (com incrível letra), Quero ser seu cão (que mostra como se inspirar sem cair no plágio), 1992, Romeo e a melhor de todas Voodoo, que vale todo o disco.

Tracklist do álbum
01. Intro (participação de Joe Dallesandro)
02. Rock’n’roll Sugar Darling
03. Romeo (participação Helio Flanders, do Vanguart)
04. Quero Ser Seu Cão
05. Save The Last Dance
06. De Trago Em Trago
07. 1992
08. Honey Bi (participação de Adriano Cintra)
09. Voodoo
10. Perdedor
11. Story In Blue

Video de “Romeo”

Video de “Voodoo” (Audio)

Video de “Quero ser seu cão”

Thiago Pethit

Thiago Pethit

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