The Specials voltam mais essenciais do que nunca em Encore

Os The Specials estão de volta com um novo álbum de inéditas, o ótimo “Encore” que estreou no topo das paradas inglesas, confirmando toda influência da banda no Reino Unido e Europa.

O grupo fez fama ao injetar, na virada dos anos 70 para os 80, seu Ska com pegada punk e política, em toda uma cena musical que sofria com desemprego e recessão de governos que viraram as costas para os jovens das periferias.

The Specials – 70/80

Até 1981 o grupo viveu seu auge, com hits seguidos, álbuns de sucesso e turnês esgotadas, onde cada performance contribuiu para formar o mito, gerando um choque quando ainda em 81, e dominando as paradas com “Ghost Town”, o coletivo se separou.

Desde 2009, coincidentemente com a Grã-Bretanha novamente recessão, os Specials iniciaram uma volta com os membros originais Terry Hall, Lynval Golding, Horace Panter, John Bradbury, Neville Staple e Roddy “Radiation” Byers, mas um novo disco ainda era um sonho.

Somente no final de 2015, começam a compor juntos novamente, mas o plano foi adiado com a passagem de Brad, dando mais um ano de pausa nos trabalhos até que o trio remanescente resolvesse focar em concluir as 10 faixas !!

Sorte de todo o planeta da música, pois os caras, após 40 anos de sua estréia, mostram uma vitalidade gigante em “Encore”, álbum cheio de sons perfeitos, inteligentes e prontos pra pensar e dançar.

A primeira faixa é “Black Eyed Blue Eyed Boys”, um cover dos The Equals de 1973, que leva o grupo ao funk setentista cheio de groove, na sequência uma gema de Mr.Lynval, “BLM (Black Lives Matter)”, que mostra a luta de resistência contra o racismo sistêmico, dentro de uma sonzeira gigante que cresce a cada audição.

Encore – The Specials

Minha preferida é mesmo “Vote for Me” que usa o ritmo jamaicano e letras diretas para pregar contra a corrupção global, com a batida lembrando muito mesmo “Ghost Town”, em rimas diretas que mostram toda crise da democracia representativa nesse início de século.

Destaque ainda para outro cover, a sintomática “The Lunatics Have Over the Asylum”, que tem um lindo teclado, e mostra que o mundo com Trump e outras figuras bizarras anti iluministas, não é mesmo para amadores, com o fantasma neo fascista vivo em cada manifestação de ódio e intolerância.

O álbum mantém a temperatura em ebulição em “Breaking Point” e suas referências ao mundo da internet, ou mesmo em “Blam Blam Fever, dos The Valentines, que criticam de frente a cultura das armas.

Com “The Ten Commandments” o grupo entra na discussão sobre o feminismo, respondendo à canção “Ten Commandments of Man” (1965) de Prince Buster’s, que é essencialmente uma lista de instruções machistas, com a canção resposta dos The Specials, servindo de como grito contra a cultura do estupro e a misoginia, com a narrativa do ponto de vista de uma mulher, em ótima parceria com a jovem ativista Saffiyah Khan.

 

O álbum todo exala conscientização e força, tanto pelas mensagens das letras quanto pela produção perfeita, que não deixa ninguém ficar imune às pedradas do grupo inglês.

Os The Specials tem um entendimento inato sobre as tensões sociais e políticas do planeta, e conseguem se re-contextualizar compondo músicas que fundem toda a herança do grupo com os tempos de hoje.

The Specials ao vivo

É uma bênção podermos lutar contra a ameaça neo fascista global inspirados por esse super álbum dos caras, que inspirados voltam para nos posicionar nessa luta, e já que resistir é obrigatório, então é hora de pensar e dançar como nunca com a volta dessa lenda, além de torcer para vê-los por aqui assim que possível.

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