O consagrado Radiohead na encruzilhada do Rock

Já que o Radiohead não vem tão cedo ao Brasil, fomos atras deles nesse super tour 2017.

A banda se encontra num momento interessante, afinal seu álbum mais clássico “OK Computer” fez 20 anos, motivo de celebração para fãs e para o próprio grupo.

O local escolhido para ver o combo de Thom Yorke foi o emblemático autódromo de Monza, que sediou alguns dias de Festival, mas teve a noite de Sexta praticamente  dedicada ao Radiohead.

Monza fica a poucos minutos de Milão, e ao chegar na pequena cidade já deu para notar que além de amados na Itália, onde não tocavam há 7 anos, mobilizaram fãs de toda Europa, visto a miríade de idiomas presentes no parque que abriga também o mítico autódromo.

Por sinal, quem estiver por lá, deve incluir um passeio até o complexo de independente de qualquer atração, já que o parque é magnífico e pode ser explorado num passeio de bike.

Diversão no Monza Days com Radiohead

O local é gigantesco, comportando o autódromo e uma série de atrações e espaços livres.

Mas vamos ao que interessa 🎸🎸

O show começou bem tranquilo com a nova Daydreaming ainda de dia, e foi evoluindo aos poucos, junto com a chegada da noite e a explosão de cores e efeitos do super telão no palco.

E assim, num crescente contínuo se deu a apresentação, com arranjos renovados, cheios de eletronices e uma perfeição técnica impressionante, com Thom cantando muito, atingindo todas notas e carregando de emoção as canções.

A primeira comoção generalizada se deu com Everything in Its Right Place e na sequencia com Weird Fishes/Arpeggi, em meio a sonzeiras dos álbuns “Hail to the Chief” e do meu preferido “In Rainbows”.

O show foi mesmo incrível, combinando perfeitamente som e efeitos visuais, além da reverência constante da audiência por seus ídolos.

Na segunda metade o Radiohead não economizou, mandando clássico atras de clássico, fazendo muitos se emocionarem em sonzeiras como Fake Plastic Trees, No Surprises e Creep.

Radiohead 2017

Vale destacar a precisão que executaram as canções, mostrando uma evolução técnica sensacional e necessária para esse pós rock inspirado que hoje praticam.

Talvez por isso mesmo, a banda soe cada vez mais “progressiva”, confirmando minha previsão da época de “In Rainbows”… de que eles virariam o Pink Floyd da geração 90’s.

Ironicamente a atual controvérsia midiática em torno da banda passou a ser o embate com Roger Waters, que lidera um justo boicote artístico contra Israel e que virou munição para a audiência da decadente revista Rolling Stone.

Sim, o Radiohead vai tocar em Israel no fim do tour, mas o bate boca sem sentido entre os gênios, mostra a radicalização vazia dos tempos atuais.

Na certa se ambos sentarem para conversar um dia, verão que tem muito em comum e que todos perdem a não ser a mídia corp que ganhou audiência com o clima de fofoca.

Mas voltando ao espetáculo, uma coisa é certa, os caras estão afiados e o show vale muito à pena, com momentos para dançar, cantar junto e se emocionar com interpretação inspirada dos músicos.

Radiohead em Monza 2017

Mr.Yorke se transformou num grande frontman, falando entre as musicas na maioria das vezes em italiano e emocionando cada um dos presentes.

Ao vivo tem o poder de serem intimistas mesmo tocando para milhares de pessoas, mas enfrentam uma grande encruzilhada… flertando em alguns momentos com uma auto indulgência até natural após tantos anos de estrada.

A devoção é tamanha que sinto que qualquer coisa que façam ou digam se torna motivo de júbilo para os adeptos, certamente um risco para qualquer banda que atinge esse patamar.

Que o digam o U2, Pink Floyd e os Rolling Stones, para ficar num exemplo de cada década.

Tomara que continuem investindo em projetos paralelos e que assim consigam se manter relevantes e não cair nas armadilhas naturais de uma longeva carreira.

No final do show foi emocionante ver Thom Yorke ao violão se despedindo do público com Karma Police em versão com todos cantando junto.

Vejam com o setlist do show, e entrem em nossa torcida para que em 2018 voltem à América do Sul.

  • Daydreaming
  • Desert Island Disk
  • Ful Stop
  • Airbag
  • 15 Step
  • Myxomatosis
  • The National Anthem
  • All I Need
  • Pyramid Song
  • Everything in Its Right Place
  • Reckoner
  • Bloom
  • Weird Fishes/Arpeggi
  • Idioteque
  • The Numbers
  • Exit Music (for a Film)
  • Paranoid Android
    Bis
  • No Surprises
  • Nude
  • 2 + 2 = 5
  • Bodysnatchers
  • Fake Plastic Trees
    Bis 2
  • Lotus Flower
  • Creep
  • Karma Police

Sobre o autor(a):
Testemunha ocular e sobrevivente dos anos 80, com vasta experiência como público pagante de shows e festivais, amante dos melhores sons e estilos. Nativo Digital e idealizador do Blog Vishows. Blogueiro Ativista, Podcaster, Educador Social, Empreendedor e Profissional de Marketing e Comércio Eletrônico.

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