A viagem do Planet Hemp no livro “Mantenha O Respeito”

Lançado em 2018 pela editora Belas Letras do Rio Grande do Sul, Planet Hemp – Mantenha o Respeito, com quase 500 páginas escritas por Pedro de Luna, é um verdadeiro mergulho na história da banda carioca que conquistou fama e polêmicas diversas nos anos 90, quando emergiu de forma explosiva com os álbuns, Usuário (1995) e Os cães ladram mas caravana não para (1997).

Planet Hemp – Mantenha o Respeito

Demorei mais de 6 meses para concluir o livro, que foi mesmo prazeroso, em especial em sua primeira metade, nos apresentando de forma direta ao membro fundador Skunk e toda já mítica fundação da banda.

Destacando é claro Marcelo D2, além dos fundadores Rafael, Formigão, Bacalhau, e os essênciais BNegão, Black Alien, Zé Gonzales, Speedfreaks, Daniel Ganjaman e Pedrinho Garcia.

Presentes também na obra todos agregados, incluindo amigos, produtores, namoradas, esposas, empresários, juízes, promotores e advogados, que integraram o universo da família Planet Hemp.

O livro vale muito à pena também como retrato da cena underground e mainstream dos anos 90, mostrando a ascensão de artistas como Chico Science e Nação Zumbi, Raimundos, O Rappa, Racionais MC´s, Pavilhão 9, e os famosos festivais surgidos na década e que serviram de plataformas para toda cena dos 90´s.

Outra curiosidade interessante é notar a tensão criativa existente no grupo desde seu início, que apesar de ter usado com maestria a mistura entre RAP e o Rock, viu a tensão entre o guitarrista Rafael e D2 deteriorar o ambiente criativo do Planet, que entre perseguições policiais e judiciais, excessos diversos, carreiras paralelas e perda da inocência, fez com que o grupo se mantivesse de forma precária à partir de meados dos anos ´00.

E justamente o formato do livro, acaba sendo prejudicado pelas fases mais recentes do Planet Hemp, que deixou de produzir novas canções, passando a existir somente como banda sempre pronta para faturar bem e aceitar gordos cachês em voltas e mais voltas sem fim, numa inteligente estratégia mercantil de manter o espaço ocupado, atitude repetida com sucesso por grupos como O Rappa, e pelos Los Hermanos, que também não abrem mão de manter a bem sucedida posição de reis do Indie Hipster Brasileiro.

Sem muito para contar dessa fase final da banda, as últimas 100 páginas se arrastam, apostando numa neutralidade e oficialismos desinteressantes, e uma tarefa somente para fanáticos pela banda.

Mas mesmo assim, recomendo sem medo a leitura de Planet Hemp – Mantenha o Respeito, ótimo registro direto e amplo do mercado musical nas últimas décadas, e que merece ser lido com o som no máximo com nossa playlist – Planet Hemp – Mantenha o Respeito.

 

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