Canções Revolucionárias: Grândola Vila Morena

Conhecí a canção “Grândola, Vila Morena” nos anos 80 quando fui num show do 365, banda paulistana influenciada pelo punk e póspunk, e que na época divulgava seu primeiro álbum homônimo que tinha o super hit “São Paulo”.

Lembro que achei a melhor musica do show e por isso mesmo fui conferir o bolachão no dia seguinte, foi quando descobrí que era um som composto por Zeca Afonso, e que tinha sido emblemática na Revolução dos Cravos em Portugal.

José Afonso, o Zeca, escreveu a primeira versão do poema “Grândola Vila Morena” após ter participado dos festejos do 52º Aniversário da coletividade Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense (SMFOG) em 1964, quando ficou impressionado com o ambiente fraterno e solidário desta sociedade alentejana.

Grandola Vila Morena

Como em toda Ditadura, Portugal vivia anos de chumbo, com a censura trabalhando contra qualquer contestação ao regime salazarista abertamente inspirado no fascismo, e que com forte apoio da elite conservadora e da Igreja Católica, levou o país à estagnação econômica e social.

Mas a ignóbil censura não viu o potencial revolucionário da composição, que em 29 de Março de 1974, foi o destaque da emblemática apresentação musical realizada no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, sendo uma das poucas canções liberadas pela repressão que não sacou sua enorme carga simbólica e permitiu que Zeca a cantasse sem ser incomodado, ajudando a popularizá-la como símbolo de resistência.

Menos de um mês depois, em 25 de Abril de 1974, a simbólica “Grândola, vila morena” tornou-se o símbolo musical da Revolução dos Cravos, que trouxe a democracia de volta a Portugal, sendo, desde então interpretada, por artistas variados, desde Joan Baez aos Garotos Podres, desde Nara Leão à Amália Rodrigues.

Memorial Revolução dos Cravos

Já no século 21, a “Grândola” teve seu segundo apogeu, sendo entoada em Portugal nas manifestações contra a troika bancária e contra os ministros do Governo PSD-CDS, ecoando também na Espanha, quando foi cantada, em enorme manifestação no centro de Madri, como símbolo de resistência contra à especulação bancária na crise econômica dos anos 00´s.

O fato histórico foi que, à meia noite e vinte minutos e dezoito segundos do dia 25 de Abril de 1974, Grândola Vila Morena foi transmitida pelo programa independente Limite através da Rádio Renascença, como senha para confirmar o início do levante.

Também por esse motivo, transformou-se em símbolo da revolução, assim como do início da democracia em Portugal.

Mais informações sobre a canção no Blog Zona Curva – Confiram !!

E eu que achava que era somente um novo hit do 365 !!!

Fiquem com a playlist – 10 versões matadoras de Grândola Vila Morena

Letra completa da música:

Grândola, vila morena, Terra da fraternidade,
O povo é quem mais ordena, Dentro de ti, ó cidade.

Dentro de ti, ó cidade,O povo é quem mais ordena,
Terra da fraternidade, Grândola, vila morena.

Em cada esquina um amigo, Em cada rosto igualdade,
Grândola, vila morena, Terra da fraternidade.

Terra da fraternidade, Grândola, vila morena,
Em cada rosto igualdade, O povo’é quem mais ordena.

À sombra duma azinheira, Que já não sabia a idade,
Jurei ter por companheira, Grândola’a tua vontade.

Grândola’a tua vontade, Jurei ter por companheira,
À sombra duma azinheira, Que já não sabia a idade.

Um comentário em Canções Revolucionárias: Grândola Vila Morena

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