Lana del Rey: a volta da bombshell empoderada ao Brasil

por Fernando do Valle

Certa vez, a bombshell Marilyn Monroe escancarou o romance com o presidente dos Estados Unidos John Kennedy, aquele com fama de cafajeste, cantando um parabéns sedutor em seu aniversário de 45 anos. Enquanto Marilyn provocava ciumeira nas mulheres nos anos 50 e 60, a empoderada Lana del Rey canta para uma legião de Lanas covers na plateia que sabem suas letras de cor, presenciei ao vivo há alguns anos.

O olhar blasé e igualmente sedutor de Lana estará novamente entre nós no dia 25 de março no Lollapalalooza e deve mobilizar novamente sua legião de fãs. Para elas, tem até tutorial para se vestir de LANA, não acredita? Clique aqui.

Marilyn é o primeiro bolo da festa do almofadinha Kennedy:

Lana del Rey beija a atriz Jennifer Lawrence (fonte: The Independent)

Entendo essa manjada expressão empoderadamento como consciência coletiva de grupos por igualdade, tanto entre mulheres, negros, gays etc e isso Lana faz entre as mulheres de alguma maneira. Suas fãs, na maioria, têm ouvidos moucos a papagaiada manjada dos machinhos e talvez busquem uma nova identidade feminina.

Como Marilyn, Lana sofre as “agruras” de mulher bonita e arrebatadora, se toma chifre, faz uma música, um muxoxo, canta a dor do amor não correspondido em um bar à meia-luz montado em algum estúdio de Los Angeles para o clipe e toca o barco.

Chora as pitangas, faz aquela catarse básica e depois chuta o balde como se fizesse coro à frase das mulheres dos novos tempos: “eu vou lá sofrer por homem”. Falando em Pitanga, Camila é outra musa dos novos tempos, Alessandra Negrini? Outra.

A cantora Lana Del Rey

Lana del Rey sacaneia com sua própria imagem, na música Cola, ela canta que sua “boceta tem gosto de Pepsi Cola”, autoconsciência de que as engrenagens da música pop a vendem como produto.

Leia o texto “Eu gosto da Lana”

Lana prestou sua homenagem a Marilyn na música “Carmem “ em que escreve como homens e mulheres sentiam calafrios quando Carmem/ Marilyn piscava “seus olhos de desenho animado”. Artificiais olhos, talvez como os de Lana também. Os de Lana são também desconfiados, e seu fascínio por uma aura poética do passado que ela conseguiu recauchutar com talento fez dela uma artista autêntica no contexto da originalidade que esse início de século 21 ainda nos permite.

Carmen:

Vídeo games:

Blue Jeans:

White Mustang:

13 Beaches:

Summertime Sadness:

Ultraviolence:

Setlist previsto para o show de Lana de Rey no Lollapalooza Brasil 2018

  • 13 Beaches
  • Pretty When You Cry
  • Cherry
  • Yayo
  • Born to Die
  • Blue Jeans
  • White Mustang
  • Happy Birthday Mr. President (Marilyn Monroe)
  • God Bless America – And All the Beautiful Women In It
  • National Anthem
  • When the World Was at War We Kept Dancing
  • Lust for Life
  • Change / Black Beauty / Young and Beautiful
    Ride Monologue
  • Ride
  • Video Games
  • Love
  • Summertime Sadness
  • Ultraviolence
  • Burnt Norton
  • Serial Killer
  • Off to the Races

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