Red Hot Chili Peppers se mostram prontos para o Pop Adulto em The Getaway

The Getaway – RCHP 2016

A verdade é que os Red Hot Chili Peppers em The Getaway não surpreendem, pelo menos não de forma positiva,entregando um álbum que tem alguns méritos mas que em linhas gerais não faz bonito dentro da discografia da banda.

Deveriam ter feito como os Strokes e soltar somente um EP com as melhores composições, nos poupando de algumas canções melosas e nem sempre inspiradas.

Claro que os Peppers tem gordura de sobra, pois contruíram carreira sólida no mainstream com sua autêntica combinação festeira de rock, funk, psicodelia e baladas, sempre com aquele clima solar do sul da califórnia.

A produção a cargo de Dargermouse  gerou um álbum cheio de excessos que desvalorizaram o balanço e as passagens criativas de cada som, levando os RHCP para novos caminhos mas errando feio ao tentar emular a sonoridade de álbuns clássicos produzidos por Rick Rubin durante mais de 2 décadas.

O que pega mesmo em The Getaway são as canções repetitivas e pouco inspiradas, que mostram um “desgaste de material” na banda, que apesar de boas intervenções do novato Josh Klinghoffer, sofre com a falta das composições e arranjos de John Frusciante, o mais clássico e criativo músico que empunhou as guitarras da banda.

Vamos agora comentar faixa por faixa do mediano The Getaway

The Getaway – Começa minimalista com melodia bem característica, lembrando logo que são os Peppers, mas sem aqueles backing vocais criativos de antes… Abre bem o disco, dançante e garantindo força com a temática estradeira de fuga e busca de novos horizontes. 

Anthony manda bem nos versos e com estilo nos conduz pela canção com a costumeira segurança do rock star que é.

Dark Necessities – Agora sim !! Temos aquele balanço funkeiro que abre o sorriso de quem é fã das antigas e gosta ver ouvir Flea detonando, mas… a leveza da harmonia também mostra uma melancolia e até um pessimismo fatalista que parece mais fim de festa.

Quando chega então um pianão setentista… sei lá … talvez sejam os Peppers do Rock Adulto… meu deus, não me chamem prá essa festa de rock… mas justiça seja feita, o solo de guitarra mais criativo de 2016 é o de Josh nessa balada funk.

We Turn Red – Funk rock sem sal e sem pimenta… me senti tomando cerveja sem álcool, a canção não diz ao que veio, sem nada para destacar, a não ser a melosidade da baladinha que contamina o refrão e as guitarras havaianas bonitinhas de Josh, pouco para uma banda desse calíbre.

The Longest Wave – Na “Under the Bridge” ou “Scar Tissue” do álbum, a banda força a barra na emolução de sí mesma. A vontade de ouvir sons antigos da banda quase me obriga a trocar de disco.

Som de amor que parece uma canção ruim do Oasis ou do Blur…mas bem pensada para ganhar as rádios apesar de deslocada no tempo e no espaço.

Goodbye Angels – Ok vamos continuar pois pior não pode ficar… e “Goodbye Angels” apesar de parecer mil coisas é bem melhor… com inteligente levada e mudanças de ritmo, mostra um caminho mais interessante e que o grupo deveria apostar mais nessa reinvenção, pois consegue manter a atenção do ouvinte mesmo com a desesperança de versos como :

Say goodbye my love, I can see it in your soul

Say goodbye my love, Thought that I could make you whole

Let your lover sail, Death was made to fail

O fim se destaca num rockão com super baixo e pegada criativa de Josh, num dos raros pontos altos de The Getaway!!

Sick Love – Bem setentista é quase uma trilha sonora, mostrando vários clichês dos Peppers na levada esperta, com inteligentes rimas que falam do sonho do mito da Califórnia, da vaidade, da sociedade Prozac e do foco nas aparências.

Ponto para a banda, existe salvação para os Peppers, mas cuidado nas curvas rapazes.

Go Robot – Finalmente um som realmente legal, vamos nos divertir um pouco agora!! Ok o futuro ainda é sombrio, com a robotização e o fim das emoções e tudo mais… só que em Go Robot a batera reta + o baixo pulsante e simples, deram vazão a uma super melodia e garantia para qualquer festa!!

Melhor som do álbum, acho que nem preciso ouvir o resto… será ?!

O pior é que de repente já é um dos sons do ano!! Aff… será que deveria reescrever o post… mas não é isso… estava ruim mesmo e melhorou muito o disco!! Vamos em frente Peppers !!

A letra brilhante brinca… vamos ser mais felizes se vivermos a robotização no limite!! Genial!

Feasting on the Flowers – Claro que o humor também melhorou, mas em Feasting on the Flowers a banda novamente se perde, parece uma baladinha reggae do Magic!, mas para os Peppers isso é um péssima notícia… próxima!!

Detroit – Um rockão mais Hendrix e tal, que começa bem numa ode à antiga Motor City, e vendo melhor esse som, conseguí capturar o espírito do álbum, que mostra claramente a encruzilhada da “América” do norte em seu sonho eterno de conquistas.

Detroit é a mais pesadona e psicodélica canção de The Getaway, pena que ficou isolada num monte de baladas e bobagens da produção.

This Ticonderoga – Quando tudo parecia certo num outro ótimo rockão… aparece um refrão bem 60´s, super pop e que coloca tudo mesmo a perder… cheia de pianos e pomposidades mil… e que apesar da boa melodia, me faz pedir novamente … a próxima !!

Encore – De volta a um clima mais ensolarado e com uma pegada inteligente e eletrônica Encore mostra a banda confortável numa sonoridade bem dream pop e que difere dessa fase adulta dos Peppers… ok, já aceitei a mudança evidente da banda, e claro que continuam uma força criativa essencial para o Rock atual.

Vale ouvir Encore de ponta a ponta, e viajar na inspirada melodia e nos multiplos teclados e orquestrações do arranjo.

The Hunter – Depressiva balada pop, que vale somente para ver os caras se virando num clima onírico e solar que ficaria bem entre os Beach Boys e os Beatles na segunda metade dos 60´s.

Dreams of a Samurai – Os pianos em metástase criativa ocupam boa parte do álbum The Getaway, e logo de cara Dreams of a Samurai já enche qualquer fã devotado, pois somente após 1 minuto algo começa a acontecer, mas na real nada acontece, o disco terminou e os Peppers não perceberam… que pena.

No fim me pergunto… em plena era digital, prá que lançar um disco de 13 faixas e que no máximo tem 5 ou 6 sons que realmente podem ser dignos da discografia da banda ?

Fico com com The Getaway, Dark Necessities, Sick Love, Go Robot, Goodbye Angels e Detroit. Seriam juntas um super EP dos Peppers !!

Mas é só minha opinião, ouçam  vocês mesmos! Curtam abaixo playlist com o álbum na íntegra !!

 

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